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Juara – Mato Grosso
Sábado, 31 de Outubro de 2020

Reaproveitar é peça para ampliar negócio

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Reaproveitar verbo cada vez mais conjugado pelos consumidores. E, para os empreendedores “antenados”, o novo padro de comportamento – e que ganha fora com a crise econmica – torna-se um nicho de mercado ainda mais atrativo. A reciclagem primria ou o reaproveitamento dos materiais usados que seriam descartados uma alternativa moderna e que ajuda a diminuir o lixo produzido no planeta, opina o empresrio Luiz Antnio Pegorini. Proprietrio da loja Usado da Informtica, ele decidiu investir na recuperao de eletrnicos h 14 anos em Cuiab, antes de o governo federal instituir a Poltica Nacional de Resduos Slidos (PNRS), por meio da Lei 12.305/10. Nesse perodo, aperfeioou o negcio e hoje mantm 27 funcionrios, sendo 16 tcnicos. Alguns com mais de uma dcada de experincia no servio de assistncia tcnica de microcomputadores. “Reaproveito o material, no desmancho e fao outro. Fao a reciclagem primria, que essa tentativa de reaproveitamento do material. Porque se o produto usado for desfeito, o mercado vai substituir por um novo. Ento, o que fao importante porque contribui para que a fabricao de produtos seja menor e, consequemente, o volume de lixo tambm. O produto usado e recuperado aqui retorna para a casa de algum, no descartado”, esclarece. O negcio mantido por ele consiste na coleta, recuperao ou destinao correta dos produtos em desuso. Aqueles equipamentos ou peas que no podem ser recuperados so despachados para indstrias localizadas em So Paulo. “Quando no tem como recuperar, o pessoal daqui faz o desmanche; separa plstico, ferro, vidro e componentes eletrnicos e mandamos isso para as indstrias de fora. Parte disso conseguimos vender, mas parte enviamos com um custo adicional, que o frete”. Conforme ele, sem custear o frete para as indstrias seria quase impossvel despachar o material descartvel. “Em So Paulo h muito mercado para isso e ter que arcar com o frete encarece muito o custo para essas indstrias de l”. Para ele, essa no a situao ideal, j que transporte das peas que sero desmanchadas pelas indstrias para produo de novos equipamentos dependem do transporte rodovirio que, por sua vez, aumenta a emisso de gs carbnico com o uso de combustveis fsseis. “Quando mando esse material para fora, a nica vantagem que deixo de descartar no lixo, porque direciono para a indstria que ir convert-lo em outros equipamentos. Mas, haver poluio do mesmo jeito”, pondera. O empresrio revela que o lucro da sua empresa advm do reaproveitamento do material, j que os itens consertados podem ser vendidos. “Isso ajuda a financiar a outra parte, que o envio dos equipamentos inutilizados para as indstrias de fora do Estado”. Coleta Para recolher os equipamentos usados e que podero ser reaproveitados, Pegorini conta com o apoio de aproximadamente 300 tcnicos de informtica atuantes na Capital e regio metropolitana. Os profissionais que prestam assistncia aos consumidores que possuem computadores e precisam desse servio acabam recolhendo equipamentos ou componentes potencialmente reutilizveis. “Se eu no comprar, eles jogam no lixo. E como funciona? O tcnico traz o HD de um computador, por exemplo, vem aqui e me vende. Eles acabam coletando e normalmente eu compro essa sucata. Ento, muitos acabam guardando esse material e depois mandam para c. Dessa forma, no jogam no lixo e eu mantenho meu negcio”, detalha. Um dos “colaboradores” nessa coleta o tcnico Marcos Dias de Arruda, proprietrio da Suporte Informtica. Ele explica que invariavelmente as pessoas trocam o equipamento antigo por um novo e, para no descartar o que ficou em desuso de qualquer forma, deixam na empresa. “Guardo aqui por um perodo, em geral de 3 a 6 meses, depois envio para a Usado. So fontes, placas-me, processadores, impressoras, baterias de notebook, esses produtos. Mas nunca compro esses materiais. Em geral, quando a pessoa deixa comigo porque entende que no compensa consertar e prefere comprar um novo. Aqui fao manuteno e tambm vendo equipamentos novos”. Pegorini completa que tambm h pessoas fsicas e jurdicas que recorrem sua empresa porque desejam descartar esses materiais. “Do Grupo Gazeta de Comunicao, por exemplo, j coletei umas 10 vezes”. Ele acrescenta que a atividade envolve riscos, tem altos e baixos, como todo negcio. “Quando o ‘garimpeiro’ deixa o material aqui, s vezes consigo vender por R$ 300, mas s vezes tenho prejuzo de R$ 45, por exemplo”. Contudo, nem sempre ele compra a matria-prima. “Depende do material e de quem est vendendo”. Concorrncia O empresrio afirma que no ramo em que atua no h concorrncia direta. Ele destaca que a expertise que detm, junto com os funcionrios, voltada para a manuteno da prpria empresa, que no registra alto faturamento. “E, hoje, aqueles que possuem mais experincia acumulada optam por estabelecer contrato com o poder pblico porque consideram mais vantajoso”. Pegorini acrescenta que j foi contactado por pessoas de outras localidades querendo fazer parceria. “No temos uma empresa comum, porque trabalhamos com sucata, mas que no deixa de ser um negcio, um comrcio”. Crise O cenrio econmico recessivo e que afetou muitas empresas em todo o pas provocou efeito contrrio para a reciclagem. Ao menos, na empresa de Pegorini. “Graas a Dilma, o movimento aqui melhorou uns 25% desde o ano passado. claro que a vida est mais complicada, os custos aumentaram. Eu pagava R$ 3 mil de conta de luz e passei a pagar R$ 7 mil (por ms). Mas, hoje tem muito mais gente consertando do que comprando. At empresrio vem aqui buscar equipamento seminovo. Antes eram s as pessoas mais simples, moradores de bairro, que precisavam de um computador para o filho que estava estudando, por exemplo”. Novidade Quem tambm busca promover um modo de vida ambientalmente correto e saudvel Alex Anderson, idealizador da startup Eco III Sustentabilidade e do aplicativo Coleta Seletiva.net. Com uma equipe de 3 desenvolvedores, ele criou um mecanismo que poder ajudar as prefeituras na implantao e controle da coleta seletiva de resduos. Nesse grupo, entram embalagens plsticas, de papelo, de alumnio, computadores e at leo de cozinha. “Todo mundo pode ter o aplicativo, mas primeiro preciso que o poder pblico estruture a coleta seletiva e institua o uso do aplicativo”. Por meio dele, ser possvel mapear todos os pontos de coleta nos bairros, por exemplo. O projeto resulta de uma dcada de experincia acumulada, completa Anderson. “Na realidade, no pesquisamos para montar o aplicativo, mas trabalhvamos na rea de reciclagem e percebemos que os mesmos volumes de materiais continuam sendo destinados ao aterro sanitrio. Falta comunicao, educao e conscientizao para reverter isso”. O empreendedor tambm faz a ressalva de que a reciclagem deve ser sustentvel inclusive economicamente. “Um material que no tem destinao econmica se converte em rejeito. Ento, a coleta seletiva e a reciclagem envolvem um ciclo. Tem que comprar e vender, seno encalha”.

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