Saiba qual método anticoncepcional é mais adequado para você

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A ginecologista e obstetra Leryane Marques Blaszkowski explica quais são os métodos mais utilizados e a importância da orientação médica na escolha.

O uso de anticoncepcional é seguro, desde que seja adequado para cada mulher. A pílula combinada (progesterona e estrógeno) é o método contraceptivo mais utilizado por brasileiras, de acordo com o Ministério da Saúde. Também é o meio mais seguro para evitar a gravidez, com 99,7% de eficácia, de acordo com a ginecologista e obstetra Leryane Marques Blaszkowski.

A médica explica que o uso da pílula regula a menstruação, previne o câncer de ovário, melhora a qualidade da pele e do cabelo e miniminiza a cólica.

Por outro lado, também pode trazer riscos à saúde, se usado sem orientação médica, como o desenvolvimento de trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar (TEP), doenças cardiovasculares caracterizadas pela formação de coágulos sanguíneos e que podem levar a complicações mais graves.

A pílula combinada de progesterona e estrógeno é o método mais usado por brasileiras

PEXELS

“Em um estádio de futebol com 100 mulheres, duas já vão ter risco [de ter trombose] simplesmente porque são mulheres. Cinco vão ter risco porque usam a pílula e 10 por estarem grávidas”, exemplifica Leryane, ressaltando que a gestação é um fator de risco maior para essas doenças do que o uso da pílula.

Existem ainda, de acordo com a ginecologista, condições que aumentam quatro vezes o risco de uma mulher ter doenças trombogênicas ao usar a pílula: obesidade, hipertensão, tabagismo e estar acima dos 35 anos de idade.

Leia também: Pílula do dia seguinte equivale a meia cartela de anticoncepcional

Além disso, há efeitos colaterais que são comuns durante o período de adaptação à pílula. “A mulher pode ter dores nas mamas, dor de cabeça, inchaço nas pernas, gastrite, vômitos e náuseas”, cita Leryane.

Escolha orientada e consciente

Todas essas situações mostram por que é importante ter orientação médica na hora de escolher um método contraceptivo adequado. Além da pílula, há outras opções disponíveis no mercado e no SUS (Sistema Único de Saúde). O aconselhamento com um ginecologista é essencial para que a mulher conheça os prós e contras de cada um deles.

“A escolha é feita a partir de uma conversa entre médico e paciente. Entramos em um consenso e se decide”, pondera Leryane. “Se a mulher quer engravidar logo, não adianta investir em um método caro e prolongado. O DIU [Dispositivo Intrauterino] hormonal é coberto pelo saúde. Mas métodos como esse, de maior custo, são uma loteria. A mulher pode colocar e não se adaptar”, exemplifica.

A especialista explica que o médico analisa as particularidades de cada paciente na hora de orientar sobre qual o método mais adequado. De acordo com ela, é preciso avaliar questões como estilo e pretensões de vida, profissão, existência de parceiro fixo, existência de comorbidades, como hipertensão e obesidade, e facilidade de acesso ao método.

“O implante, por exemplo, chega a ter 99,9% de eficácia, mas é caro, então não é acessível para todos”, completa.

O implante consiste em um tubinho inserido embaixo da pele. Contém uma grande concentração de progesterona, que impede a ovulação. O procedimento é feito com anestesia local. Custa entre R$ 900 e R$ 1.100, segundo Leryane, fora as despesas com procedimento cirúrgico.

Métodos mais usados no Brasil

A especialista afirma que os métodos mais usados no Brasil são aqueles oferecidos pelo SUS, como a própria pílula combinada, o DIU de cobre e a injeção de anticoncepcional mensal e trimestral (saiba mais no vídeo abaixo).
“A injeção é similar à pílula combinada, mas tem mais hormônio. Mas isso não quer dizer que oferecerá mais risco”, destaca.

“A injeção trimestral é melhor para quem fuma porque não tem o estrógeno, que mexe com a coagulação. Ela corta a menstruação e não passa pelo fígado, vai direto para o sangue, então dá menos enjoo e gastrite”, acrescenta.

Já o DIU de cobre libera sais de cobre lentamente, o que “irrita” o endométrio (camada que reveste o útero), deixa o meio hostil para o espermatozoide e impede que ele fecunde o óvulo. Portanto, o método não é abortivo, como enfatiza Leryane, porque sequer ocorre a formação do zigoto (célula resultante da união do gameta masculino com o feminino).

O DIU hormonal, como o próprio nome sugere, solta hormônio para impedir a fecundação e não está disponível no sistema público de saúde. “Libera progesterona pura, de ação local. Leva à trofia endometrial [deixa o endométrio muito fino]”, descreve a médica. “Dura cinco anos, controla muito bem sangramentos uterinos”, completa.

Ainda de acordo com a médica, ele é benéfico para mulheres que têm mioma, pois impede que esse tipo de tumor cresça.

Laqueadura

Em relação à laqueadura, cirurgia para a esterelização definitiva da mulher que bloqueia as tubas uterinas, Leryane destaca que é preciso refletir muito antes de optar por esse caminho.

“Falhava muito no passado. Por causa da técnica usada [para fazer a cirurgia] existia um risco de recanalização da tuba. Hoje esse risco é muito baixo porque se usa a retirada da tuba como um todo ou as fimbrias dela, que são como bracinhos da tuba que ficam perto do ovário e captam o óvulo”, explica.

Cabe ao médico escolher qual dessas técnicas será feita e prestar todas as informações à paciente.

Caminhos para ampliar o acesso

Cerca de 216 milhões de mulheres no mundo querem ter acesso a métodos anticoncepcionais, mas não conseguem. A maioria delas é de países subdesenvolvidos, de acordo com um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) feito em 2015.

Leryane afirma que para ampliar o acesso é preciso investir em políticas públicas, educação, divulgação de informações e quebrar barreiras culturais.

“Primeiramente, é preciso avaliar o programa que o país tem em relação à planejamento familiar e divulgar isso para as famílias que não têm noção de como evitar uma gravidez”, ressalta.

“Aqui [no Brasil] há pacientes que não conhecem todos os métodos disponíveis. Tudo isso tem que começar na escola, com a explicação do que é DST [doença sexualmente transmissível], reprodução e planejamento familiar”, conclui.

Fonte: R7

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