Juara – Mato Grosso
Terca-Feira, 28 de Novembro de 2023

Maioria dos remédios caseiros não tem eficácia comprovada

Quem nunca tomou um chá para gripe ou má digestão? Tradicionalmente, a população recorre a diversos remédios caseiros para problemas de saúde comuns e de menor complexidade.

R7 conversou com o clínico geral Alfredo Helito Salim, médico de família do Sírio-Libanês, para saber quais remédios realmente funcionam.

Segundo Salim, existem três remédios comuns com eficácia comprovada. Um deles é a compressa de gelo, útil para contusões e traumas ortopédicos e que possui efeito analgésico e anti-inflamatório.

Além disso, afirma, “cada vez mais está se notando que o mel tem uma ação analgésica e anti-inflamatória, principalmente das vias respiratórias. Existem estudos científicos nesse sentido”.

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Um terceiro remédio com ação comprovada é a camomila. A compressa do chá da planta pode ser utilizada para tratar hematomas e flebites, inflamação nas veias comuns após utilização de agulhas. “Ela é utilizada, inclusive, em ambiente hospitalar”, explica.

Porém, o uso da erva para aliviar dores de cabeça, gripe, estresse e para dormir não é comprovado. Outros chás como erva-doce, macela, alho, gengibre e boldo, utilizados para gripe, insônia, dor de cabeça, fígado e má digestão também não possuem comprovação científica de que são benéficos.

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Outras práticas comuns como mastigar cravo-da-índia para melhorar dor de dente; comer maçã para rouquidão; tomar água com açúcar para se acalmar; e colocar álcool nos pulsos ou sal debaixo da língua para subir a pressão também não são validadas pelas comunidade médica como tratamentos que funcionem.

“O sal vai demorar muito para ser absorvido. A melhor coisa a se fazer quando a pressão cai é tomar líquido, suco, refrigerante, água. Água de coco é uma boa opção também”, explica.

Tomar sopas e canjas para melhorar a gripe ou suco de laranja e vitamina C para preveni-la também não é comprovado. “Não tem nada que diz que uma sopa de legumes vai melhorar sua imunidade, mas é um alimento suave e quente que pode fazer a pessoa se sentir melhor”, afirma.

Outra medida comum, sem comprovação, é a utilização de bolsa de água quente para cólicas menstruais. “Não tem nenhuma comprovação, mas muitas pacientes se beneficiam disso”, explica.

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“A maioria [dos remédios caseiros] podem aliviar os sintomas sem causar nenhum dano ou dependendo pode até ser prejudicial. Se a pessoa se sente melhor tomando um chá ou uma canja, pode tomar”, afirma.
O médico alerta para soluções caseiras em caso de queimaduras. “Tem pessoas que colocam pasta de dente ou borra de café. Pode ser muito prejudicial, causar uma infecção e uma lesão dermatológica desnecessária. A substância gruda na pele e é muito difícil de tirar. Muitas vezes temos que sedar o paciente”, explica.

Os bebês podem ir à praia a partir de que idade? Seis meses. Segundo a pediatra Célia Regina Bocci, do Sabará Hospital Infantil, com essa idade, o bebê já completou a primeira parte da carteira vacinal. A dermatologista Selma Maria Hélène, presidente do Departamento de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo, diz que não existem protetores solares adequados para bebês menores de 6 meses. “Eu não aconselho [a levar à praia], mas se a família quer levar, tem que tomar todos os cuidados e usar roupa com protetor solar até o punho”, afirma Célia.

É verdade que o bebê sente mais frio? Sim. A pediatra explica que recém-nascidos (até 28 dias) têm uma sensibilidade maior. A técnica é sempre colocar uma camada de roupa a mais que os adultos. “Se a mãe está de regata, coloca uma camiseta de manga curta no bebê”, afirma. Além disso, ela alerta que, diferentemente do conhecimento popular, que diz para verificar a temperatura do bebê pelos pés, o ideal é que se verifique no tronco. Isso porque é normal que as extremidades do corpo do bebê sejam mais frias.

Como podemos proteger os bebês dos insetos? Segundo a dermatologista, é importante passar um repelente adequado para a idade da criança. A informação está sempre no rótulo dos produtos. Ela explica que não existem repelentes para bebês com menos de 6 meses. “O ideal é que se use tela, véu e tule e feche a janela às 17 horas”, afirma. Se a criança vive em um ambiente com muito risco de doenças transmitidas por insetos, como zika, malária e dengue, é melhor que se use o repelente.

Quais são os cuidados com a exposição ao sol? A dermatologista afirma que existe um conjunto de medidas protetivas que precisam ser tomadas: evitar exposição entre 10h e 16h, utilizar protetor solar adequado para a idade da criança e proteger em sombra efetiva, a feita por laje. Em sombra de árvores e guarda-sol, o bebê ainda recebe incidência solar. Selma explica que a prevenção contra o câncer de pele na vida adulta começa na infância. Ela acrescenta que, antes da adolescência, a pele da criança ainda não tem quantidade de sebo necessária para a completa proteção contra agressores do meio ambiente, e por isso precisa de um cuidado especial. A pediatra lembra que é importante aplicar o protetor solar 30 minutos antes da exposição e que é necessário reaplicar quando a criança se molha. Além disso ela não recomenda mais de 15 minutos de exposição direta. Célia afirma que, além dos problemas para a pele, ficar exposto ao sol pode aumentar a temperatura corporal e, consequentemente, a desidratação. Ela não aconselha usar panos e fraldas para cobrir a cabeça do bebê, pois isso aumenta ainda mais a temperatura.

Quais os riscos de dias muito quentes para os bebês? A pediatra afirma que o principal problema é a desidratação, pois as crianças tendem a suar bastante. É por esse motivo que aparecem as brotoejas, que é a retenção de suor pela pele quando ele não evapora. Para manter a hidratação, é importante deixar o bebê em um lugar arejado e com roupas frescas. Para os que tomam leite em pó, a mãe pode oferecer bastante água. Para os que ainda mamam no peito, ela aconselha aumentar a frequência de amamentação e oferecer o leite mesmo quando a criança não está com fome. Célia explica que a melhor maneira de verificar a hidratação do bebê é pela quantidade de xixi. Caso o bebê desidrate, ele pode entrar em choque – quando a quantidade de água no corpo não é suficiente para o funcionamento perfeito dos órgãos. Os sintomas desse quadro são: choro sem lágrimas, pouca quantidade de xixi, pele, boca e língua secas e a fontanela, conhecida por moleira, mais funda. A pediatra afirma que caso esses sintomas sejam verificados a mãe deve dar líquido imediatamente e levar a criança para o hospital o mais rápido possível.

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