Setor têxtil espera chegada do frio para reduzir perdas com pandemia

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O setor têxtil foi um dos mais afetados pela pandemia de covid-19 e agora torce para que o frio intenso chegue ao centro-sul do país, ainda que tardio, para minimizar as perdas.

As vendas de vestuário caíram acima de 70% em abril no Estado de São Paulo, segundo projeção que ainda está em fase de fechamento pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Isso se refletiu nas fábricas. Segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), uma sondagem feita com empresas de todo o país mostrou que 96% tiveram queda nas encomendas, sendo que mais da metade das fábricas (55%) registrou redução superior a 50% nos pedidos.

O presidente da Abit, Fernando Pimentel, afirma que as lojas estão voltando das quarentenas ainda num ambiente retraído, com o consumidor com poucos recursos. Nesse cenário, ter uma estação com temperatura diferente da esperada piora ainda mais a situação. “Se nós tivermos um inverno mais bem definido, minimiza o impacto da pandemia”, afirma.

Isso evitaria que novos estoques ficassem encalhados, por exemplo, além do fato de as roupas de inverno custarem mais caro que as de verão.

O calor registrado em junho no centro-sul do país, porém, aumentou o pânico do setor. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), até a quinta-feira (25), a capital paulista, por exemplo, teve temperaturas médias variando entre 16,1°C (mínima) e 25°C (máxima). E o prognóstico para o inverno não é dos mais animadores. O trimestre de julho a setembro deve ter chuvas um pouco abaixo da média e acima da média no estado, com alguns dias de frio mais intenso.

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Segundo Fernando Pimentel, a temperatura tem sido um problema recorrente, e o último inverno realmente bom para o setor de vestuário foi o de 2016. Os comerciantes então, estão de certa forma preparados para isso. No cenário da pandemia, porém, tudo se agrava. “Ela trouxe não apenas a quarentena, mas também uma crise econômica e incertezas ao consumidor, diz.

Foco no verão

Altamiro Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP, afirma que os meses de inverno costumam ter um faturamento dentro da média do ano para o setor de roupas. Isso porque, apesar dos valor mais alto das peças, a quantidade de itens vendida é menor em relação às roupas de calor. Ainda assim, “quanto maior a temperatura, menores serão as vendas”, explica.

Para ele, a temperatura está longe de ser o principal problema do setor agora. “O problema mais agudo é a resistência que o consumir tem de circular, a queda na renda, o menor número de lojas abertas… Houve também a perda de datas comemorativas importantes como Dia das Mães e Dia dos Namorados. A temperatura diferente da esperada seria só mais um fator”, afirma. Mesmo porque muitas lojas nem sequer se prepararam para o inverno, em razão das quarentenas decretadas em março, quando haveria a troca de coleção, explica.

Segundo Carvalho, o setor precisa passar por esse período tentando gerar algum capital para repor a moda primavera-verão a partir de setembro e se preparar para o último trimestre do ano, que é o mais rentável, concentrando 32% do faturamento.

Ele opina que, ao final do ano, o setor de vestuário deverá ter sido o mais afetado pelas quarentenas, com queda geral de 20% no faturamento. A área é uma das que mais vendem no varejo, com faturamento anual na casa dos R$ 60 bilhões no estado de São Paulo.

Roupas confortáveis

Os empresários do setor têxtil destacam que o que reduziu um pouco a forte queda do setor no período da pandemia foi o segmento de roupas confortáveis para ficar em casa, como pijamas, camisolas, ou mesmo camisetas e calções. Empresas que atuam com essas linhas e que conseguiram fazer o produto chegar ao consumidor tiveram mais sucesso para reduzir as perdas.

“Conforto, aconchego e flexibilidade, foram coisas que o consumidor levou em conta, em vez de coisas que observa quando quer uma roupa de uso externo”, afirma Fernando Pimentel, da Abit.

Ainda assim, isso se deu de forma limitada em razão da resistência maior do consumidor em comprar roupas que não pode tocar e provar antes. É um setor em que o e-commerce não teve participação tão grande como o de eletrodomésticos, segundo a FecomercioSP.

Fonte: R7

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