O ano de 2025 entrou para a história do setor agropecuário brasileiro ao alcançar o maior número de liberações de defensivos agrícolas e biológicos já registrado no país. De acordo com dados oficiais, foram 912 novos registros aprovados, superando em mais de 37% o total de 2024, que até então era o maior patamar da série.
O levantamento acompanha os dados desde o ano 2000 e mostra que, após uma leve retração em 2023 — a primeira em sete anos — o ritmo de liberações voltou a crescer de forma expressiva.
Defensivos biológicos ganham destaque
Entre os produtos aprovados em 2025, 162 são defensivos biológicos, número que representa um crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior. Esses produtos são classificados como de baixo risco e são desenvolvidos a partir de elementos naturais, como vírus, fungos, bactérias, insetos e hormônios, oferecendo alternativas mais sustentáveis ao controle de pragas.
Além disso, 25 novos produtos químicos inéditos também receberam autorização.
Maioria das liberações é para uso direto no campo
Do total de registros aprovados:
- 589 correspondem a produtos formulados, já disponíveis para comercialização e uso direto pelos agricultores;
- 323 são produtos técnicos, utilizados exclusivamente pela indústria como matéria-prima na fabricação dos defensivos, incluindo substâncias conhecidas como pré-misturas, que agilizam os processos industriais.
Apesar do alto volume de liberações, o próprio setor reconhece que nem todos os produtos acabam chegando ao mercado. No ano anterior, por exemplo, mais da metade das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas não foram efetivamente comercializadas.
Avaliação envolve três órgãos federais
Para que qualquer defensivo seja autorizado no Brasil, ele precisa passar por uma avaliação conjunta e independente de três instituições:
- Ministério da Agricultura, que verifica se o produto é realmente eficaz contra a praga ou doença a que se destina;
- Anvisa, responsável por analisar os riscos à saúde humana, incluindo exposição de aplicadores e resíduos nos alimentos;
- Ibama, que estuda os impactos ambientais, avaliando o comportamento do produto no solo, na água, no ar e seus efeitos sobre animais e ecossistemas.
Somente após o parecer favorável das três entidades o registro é concedido.
Critérios e prazos de análise
Para ser aprovado, um produto deve comprovar mínimo de 70% de eficácia nos testes apresentados pelas empresas.
A legislação estabelece prazo médio de 24 meses para análise de produtos novos. Já os defensivos biológicos, por apresentarem menor risco, costumam ter avaliação mais rápida, com prazo aproximado de 12 meses.
Classificação dos produtos
Os registros se dividem em diferentes categorias:
- Produto técnico – matéria-prima dos defensivos;
- Pré-mistura – componente intermediário para a indústria;
- Produto formulado – versão final adquirida pelos agricultores;
- Produtos equivalentes – cópias de princípios ativos já existentes após queda de patente.
O avanço no número de liberações reflete tanto o crescimento da demanda por soluções agrícolas quanto a ampliação do uso de tecnologias biológicas, tendência que vem ganhando espaço no campo brasileiro.





































































