Medidas adotadas recentemente pelo México e pela China devem afetar diretamente o setor de carnes do Brasil, um dos maiores fornecedores globais de proteína animal.
O governo mexicano anunciou novas regras para a importação de carnes bovina e suína, encerrando a política de isenção total de tarifas que vinha sendo aplicada desde 2022. A decisão cria limites de compra sem imposto e impõe taxas para volumes excedentes, o que representa um obstáculo adicional às exportações brasileiras.
Brasil pode sentir os primeiros impactos
De janeiro a novembro de 2025, a carne bovina foi o segundo principal produto exportado pelo Brasil ao México, enquanto a carne suína ocupou a décima posição, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No mesmo período, o México se consolidou como o quinto maior comprador da carne bovina brasileira e o sétimo maior destino da carne suína, considerando valores negociados.
Com as novas regras, os exportadores brasileiros passam a enfrentar um cenário mais restritivo justamente em um dos seus mercados estratégicos.
Como funcionam as novas regras
A partir de agora, o México permitirá:
- 70 mil toneladas de carne bovina com tarifa zero; o excedente pagará 20% de imposto
- 51 mil toneladas de carne suína sem tarifa; o que ultrapassar esse limite será taxado em 16%
As medidas valem até 31 de dezembro de 2026 e se aplicam a países fora da América do Norte que não possuem acordo comercial com o México — grupo no qual o Brasil está incluído.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a cota deve ser disputada principalmente entre Brasil, Chile e União Europeia. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que aguarda orientações do governo mexicano sobre os critérios de distribuição das cotas.
Frango brasileiro segue sem tarifa
Apesar das mudanças, a carne de frango — principal produto exportado pelo Brasil ao México — permanece com tarifa de importação zerada, o que traz certo alívio ao setor avícola brasileiro.
Pressão internacional se intensifica
O cenário se torna ainda mais delicado para o Brasil após a China, maior compradora da carne bovina brasileira, também anunciar restrições às importações. O país asiático passou a adotar cotas anuais desde 1º de janeiro de 2026. As compras que excederem os limites estabelecidos serão taxadas com sobretaxa de 55%, além da tarifa padrão de 12%.
Para 2026, a China fixou a cota total em 2,7 milhões de toneladas, número inferior ao volume importado em 2025, aumentando a competição entre os países fornecedores.
Setor brasileiro em alerta
Com dois dos maiores compradores de carne brasileira adotando políticas mais restritivas quase simultaneamente, o setor exportador do Brasil entra em 2026 sob forte pressão comercial, o que pode impactar preços, produção e planejamento do agronegócio nacional ao longo do ano.





































































