A França anunciou que irá suspender a importação de diversas frutas provenientes da América do Sul que apresentem resíduos de substâncias químicas vetadas pelas normas sanitárias da União Europeia. A medida tem como objetivo reforçar a proteção ao consumidor europeu e garantir condições justas de concorrência para os produtores locais.
A decisão foi divulgada no domingo (4) por autoridades do governo francês e deverá ser oficializada nos próximos dias por meio de uma ordem administrativa do Ministério da Agricultura. Entre os produtos que podem ser afetados estão abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs.
De acordo com o governo, não será permitida a entrada de alimentos que contenham resíduos de mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, substâncias já proibidas no território europeu por apresentarem riscos à saúde e ao meio ambiente.
Para garantir o cumprimento da nova regra, uma brigada especializada será criada para intensificar as fiscalizações nos portos e fronteiras do país. A iniciativa também foi apresentada como uma resposta à chamada “concorrência desleal”, que, segundo o governo francês, prejudica os agricultores locais ao permitir a entrada de produtos produzidos sob regras menos rígidas.
Impacto limitado sobre exportações brasileiras
Embora a União Europeia seja hoje o principal destino das frutas brasileiras, a participação da França nesse mercado é relativamente pequena. Entre janeiro e novembro de 2025, os países do bloco europeu responderam por 58,7% das exportações de frutas do Brasil, enquanto a França representou apenas 0,6% do total.
No caso das mangas, por exemplo, os franceses compraram cerca de 0,5% do volume exportado pelo Brasil no período, ocupando a décima posição entre os compradores. Já no mercado de abacates, o Brasil exportou 24,7 mil toneladas em 2025, com a França absorvendo 5,7%, o que a colocou como a sexta maior importadora do produto.
Contexto político e pressão do campo francês
O anúncio ocorre em meio ao impasse sobre o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado, que prevê redução de tarifas e maior integração comercial entre os blocos, teve sua assinatura adiada para janeiro após forte pressão de produtores rurais franceses, apoiados recentemente pela Itália.
Os agricultores europeus alegam que o acordo favorece excessivamente os países sul-americanos e ameaça setores estratégicos como carne bovina, aves, açúcar e soja. Nas últimas semanas, os protestos se intensificaram, incluindo manifestações em Bruxelas e ações simbólicas em frente à residência de verão do presidente francês, Emmanuel Macron.
O governo da França afirma que as novas regras de importação fazem parte de uma estratégia mais ampla para preservar a segurança alimentar, fortalecer a produção local e equilibrar as relações comerciais internacionais.





































































