Juara – Mato Grosso

7 de janeiro de 2026 08:06

Negociações entre União Europeia e Mercosul entram na fase final, apesar de resistência de França e Itália

A União Europeia segue confiante na conclusão do acordo comercial com os países do Mercosul e avalia que a assinatura do tratado deve ocorrer em breve. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (5) pela Comissão Europeia, que destacou o avanço significativo das negociações entre os blocos.

Apesar da expectativa positiva, o processo enfrenta obstáculos políticos, principalmente pela resistência de França e Itália, que cobram garantias adicionais para proteger seus setores agrícolas. Ainda assim, autoridades europeias afirmam que há apoio suficiente entre os Estados-membros para que o pacto seja aprovado.

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, evitou confirmar a data de 12 de janeiro, anteriormente cogitada para a assinatura do acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mas garantiu que as tratativas seguem em ritmo acelerado e caminham para uma conclusão próxima.

O entendimento inicial previa que o acordo fosse formalizado em dezembro de 2025, o que acabou sendo adiado após a Itália se alinhar à França para solicitar mais tempo de análise e maior proteção aos produtores rurais, transferindo a etapa final para janeiro deste ano.

Impactos e alcance do acordo

O tratado entre a União Europeia e o Mercosul prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio industrial e agrícola, investimentos, serviços e padronização regulatória. O acordo também abrange áreas como propriedade intelectual e meio ambiente, atraindo o apoio de diversos setores econômicos além do agronegócio.

Após o adiamento anunciado no mês passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o bloco europeu possui maioria suficiente para aprovar o acordo. Segundo ela, houve entendimento com os parceiros sul-americanos para um pequeno ajuste no cronograma, sem comprometer o objetivo final.

🇫🇷 França lidera resistência

O principal foco de oposição ao acordo vem da França. O presidente Emmanuel Macron reafirmou que seu país não apoiará o tratado sem salvaguardas adicionais para os agricultores franceses, que veem o pacto como uma ameaça devido à concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e produzidos sob padrões ambientais diferentes dos europeus.

Macron declarou que a França não aceitará qualquer tentativa de acelerar a aprovação sem essas garantias.

🇮🇹 Itália mantém cautela

Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o governo está disposto a apoiar o acordo, desde que as preocupações do setor agrícola sejam devidamente atendidas. Segundo ela, as pendências podem ser resolvidas rapidamente, dependendo das decisões da Comissão Europeia.

🇩🇪🇪🇸 Apoio cresce no bloco

Em sentido oposto, Alemanha, Espanha e países nórdicos defendem a rápida aprovação do tratado. O chanceler alemão Friedrich Merz destacou que a União Europeia precisa agir para preservar sua credibilidade comercial e fortalecer sua posição global, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e da crescente dependência da China.

Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ressaltou que o acordo amplia o acesso europeu a novos mercados e a minerais estratégicos.

🇧🇷 Brasil mantém otimismo

O governo brasileiro também demonstra confiança no avanço do tratado. O presidente Lula afirmou que a Itália não se opõe ao acordo em essência, mas sofre pressão interna do setor agrícola, e avalia que o país deve aderir ao entendimento.

A aprovação final depende do Conselho Europeu, que exige o apoio da maioria dos países do bloco e da maior parte da população da União Europeia, tornando esta etapa a mais delicada do processo.

Fonte: acessenoticias/radiotucunare

Parceiros e Clientes

Entre no grupo Acesse Notícias no Whatsapp e receba notícias em tempo real.