Uma reunião on-line realizada no dia 20, reuniu produtores rurais, a diretoria da APRI – Associação dos Produtores de Itapaiúnas de Juara – e representantes da Energisa para discutir os graves problemas no fornecimento de energia elétrica.
A reportagem da Rádio Tucunaré participou do encontro, acompanhando os relatos e os apontamentos feitos pelos produtores.
Durante a reunião, um dos pontos mais sensíveis levantados foi o traçado considerado inadequado da rede elétrica rural que atende a região. Segundo os produtores, a rede passa por extensas áreas de mata fechada, sem qualquer estrada de acesso, o que dificulta tanto a manutenção preventiva quanto o atendimento emergencial em casos de queda de energia.
De acordo com os relatos, a escolha técnica feita no passado priorizou a menor distância do traçado, ignorando critérios essenciais de manutenção e acesso. Com isso, a rede atravessa regiões onde árvores de grande porte crescem próximas ou diretamente sobre os fios, provocando quedas constantes, principalmente durante períodos de chuva e vento forte.
O drama se agrava quando há necessidade de reparos. Produtores relataram que, em determinados pontos, equipes da concessionária não conseguem chegar com veículos, sendo obrigadas a transportar postes e equipamentos manualmente, “no braço”, em meio à mata. Essa realidade prolonga o tempo de restabelecimento da energia e amplia os prejuízos para quem depende do fornecimento contínuo para manter a produção.
Outro tema que gerou forte insatisfação foi a limpeza da faixa de servidão da rede elétrica. Os produtores lembraram que o serviço foi realizado em 2024 pela empresa terceirizada, após pressão institucional, mas afirmam que a execução foi incompleta e ineficiente. Em vários trechos, a limpeza se limitou a 7,5 metros de cada lado da rede, medida considerada insuficiente diante de árvores que ultrapassam 30 ou 40 metros de altura.
Com isso, em menos de dois anos a vegetação voltou a encostar na rede, reproduzindo os mesmos problemas anteriores. Segundo os produtores, bastam as primeiras chuvas para que galhos e árvores caiam sobre os fios, interrompendo o fornecimento de energia em toda a região.
Também foi questionada a fiscalização do serviço executado. Conforme os relatos, houve falhas na conferência do trabalho antes do pagamento à empresa contratada, o que permitiu que pontos críticos permanecessem sem a limpeza adequada. Para os produtores, isso representa desperdício de recursos e perpetuação de um problema que poderia ter sido resolvido de forma mais eficiente.
A reportagem da Rádio Tucunaré e site Acesse Notícias apurou que a combinação entre o erro de concepção do traçado da rede e a falta de manutenção efetiva da faixa de servidão tem transformado a vida dos produtores de Itapaiúnas em um ciclo constante de prejuízos, insegurança e incerteza.
Enquanto soluções estruturais não forem adotadas, o temor é de que o drama se repita a cada novo período chuvoso, comprometendo não apenas a produção rural, mas também a permanência das famílias na região.





































































